O que moldou sua confiança ao longo de sua carreira e como ela evoluiu?
O que realmente moldou minha carreira foi passar por crises, às vezes decisões erradas, prazos perdidos ou conflitos de equipe. Aprender que eu era capaz de resolver o problema, e não apenas evitá-lo, transformou a "segurança" em resiliência.
No começo, eu achava que ter confiança era nunca errar, mas a TI me mostrou que o erro faz parte do jogo. Quando parei de ter medo de falhar e foquei em como consertar as coisas rápido, minha postura mudou. Hoje, encaro qualquer situação com muito mais calma e clareza.
Outro ponto que me fortaleceu foi entrar em ambientes onde eu era minoria. Como mulher na infra, precisei construir minha autoridade no dia a dia, entregando resultados sólidos. Cada desafio superado foi como uma etapa a mais na segurança que tenho hoje como coordenadora.
Essa evolução me transformou em uma líder muito mais empática. Como já estive na mesma situação várias vezes, hoje consigo transmitir tranquilidade ao meu time. Minha confiança não vem de saber tudo, mas de saber que, juntos, a gente sempre dá um jeito.
Que conselho você daria para a próxima geração de mulheres que estão considerando seguir um caminho como o seu?
Não desistam, ocupem o espaço com a confiança de quem estudou para estar ali, dedicou tempo e dinheiro ao seu desenvolvimento profissional. Se a mesa for pequena demais para a sua visão, ajudem a construir uma mesa maior para quem virá depois de vocês.
Encontrem suas redes de apoio. Ter outras mulheres para conversar, desabafar sobre os problemas de TI e comemorar as vitórias faz toda a diferença. Ninguém precisa carregar, estar sozinha, juntas a gente vai muito mais longe e com menos peso.
A nossa perspectiva feminina traz um olhar diferenciado para a infraestrutura e para a gestão que faz muita falta no mercado. Ser autêntica é o que vai te destacar, não o que vai te excluir.
Celebre cada conquista, por menor que pareça. Se você resolveu um problema complexo ou liderou um projeto, se orgulhe disso! A confiança a gente constrói no dia a dia, e cada passo dado é uma prova de que o seu lugar é exatamente onde você quiser estar.
Qual é uma "barreira" que você se orgulha de ver desaparecer para as mulheres em nosso setor?
Tenho orgulho de ver que na fábrica hoje não é um ambiente exclusivamente masculino. Hoje, não estamos mais apenas operando máquinas; estamos liderando a inteligência e a estratégia por trás de toda a linha de produção.
Outra barreira que está sumindo é aquela ideia de que a gente não entende de infraestrutura pesada. Ver mulheres comandando redes, servidores e sistemas complexos com a maior naturalidade do mundo é uma vitória diária. A gente provou que competência técnica não tem nada a ver com gênero.
Por fim, o que mais me alegra é ver a solidariedade feminina crescendo. Antes, a gente se sentia isolada; hoje, somos uma rede que se apoia e se impulsiona. Essa barreira da solidão profissional acabou e deu lugar a um ecossistema onde uma puxa a outra para o topo.